Augusto Heleno nega envolvimento em plano golpista e diz que declarações foram mal interpretadas
General negou que tenha coordenado ações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com objetivo de produzir relatórios falsos
Ton Molina/STF
O general da reserva Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), negou, nesta terça-feira (10), que tenha participado de articulações golpistas para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023. Ele é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga uma suposta tentativa de golpe para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder. As informações são da Agência Brasil.
Durante a audiência, Heleno exerceu o direito de permanecer calado diante das perguntas do relator, ministro Alexandre de Moraes, mas respondeu aos questionamentos feitos por seu advogado, Matheus Mayer Milanez.
Defesa nega ações ilegais com Abin e Bolsonaro
No depoimento, o general negou que tenha coordenado ações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com objetivo de produzir relatórios falsos. Ele também afirmou que nunca tratou de nenhum tema ilegal com Bolsonaro, integrantes do governo ou comandantes militares.
Ao comentar declarações feitas em reunião com ministros e Bolsonaro em julho de 2022, cuja gravação foi incorporada ao processo, Heleno disse que suas palavras foram mal interpretadas. À época, ele afirmou que, após o resultado das eleições, não haveria “segunda chamada” nem “revisão do VAR”, sugerindo que algo teria de ser feito antes do pleito.
“Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições. Se tiver que virar a mesa, é antes das eleições”, disse o general na ocasião. Em sua defesa, no entanto, Heleno afirmou que o uso dessas expressões foi em sentido figurado, e que seu objetivo era demonstrar preocupação com o cenário político do país à época.
Monitoramento de campanhas foi por segurança, diz general
O general também comentou um trecho da mesma reunião ministerial, no qual menciona conversas com Victor Felismino Carneiro, então diretor interino da Abin. Heleno mencionava ali a “montagem de um esquema para acompanhar o que os dois lados vão fazer”, mas ressaltava que o problema seria se houvesse vazamento da operação, o que poderia gerar acusações de infiltração da agência em campanhas eleitorais.
Durante o depoimento, Heleno afirmou que, de fato, conversou com Victor para solicitar o acompanhamento das campanhas presidenciais com foco em segurança, citando como exemplo o atentado a faca sofrido por Bolsonaro em 2018.
“Julguei muito importante que houvesse uma integração entre órgãos de segurança”, explicou o general, que negou qualquer intenção de infiltração de agentes. Segundo ele, o acompanhamento era uma prática já existente desde 1991 e foi feito em conformidade com a Constituição.
“Deixei claro para o Victor que não podíamos infiltrar elementos da Abin nessas atividades”, afirmou Heleno. Ele garantiu que não houve qualquer tentativa de mascarar ou ocultar a operação, já que não havia interesse em infiltrar agentes.
General rebate conteúdo de caderneta apreendida pela PF
Heleno também comentou as anotações encontradas em uma caderneta apreendida em sua residência, usada pela Polícia Federal (PF) como prova no processo. A Procuradoria-Geral da República (PGR) vê teor conspiratório nos registros, mas o general afirmou que o conteúdo nunca foi compartilhado com terceiros.
Ele rejeitou qualquer interpretação de que os apontamentos indicariam envolvimento em ações para fraudar ou questionar o processo eleitoral.
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