Símbolo do cinema francês, Brigitte Bardot morre aos 91 anos
Atriz deixou o estrelato no auge da fama, tornou-se referência mundial na defesa dos animais e manteve vida marcada por polêmicas
Reprodução/Instagram @brigittebardotpage
Símbolo do cinema francês, atriz Brigitte Bardot morreu neste domingo (28), aos 91 anos, segundo confirmação da fundação dedicada à proteção animal que leva seu nome. A artista estava em sua residência em Saint-Tropez, no sul da França, após ter sido internada nos meses de outubro e novembro para a realização de procedimentos médicos, dos quais afirmava estar se recuperando bem. A causa da morte não foi divulgada.
Nascida em 28 de setembro de 1934, em Paris, Bardot construiu uma trajetória singular no cinema mundial e se tornou um dos rostos mais emblemáticos da cultura pop do século 20. Sua imagem atravessou gerações como símbolo de sensualidade, independência feminina e ruptura de costumes, especialmente nas décadas de 1950 e 1960, período em que alcançou projeção internacional.
Ascensão meteórica e consagração nas telas
A consagração veio com E Deus Criou a Mulher, dirigido por Roger Vadim, com quem era casada à época. O longa transformou Bardot em um fenômeno global, redefinindo padrões de representação feminina no cinema. A personagem vivida pela atriz rompeu com convenções morais e projetou uma nova estética de liberdade, que influenciaria a moda, o comportamento e a linguagem cinematográfica dos anos seguintes.
Ao longo da carreira, Brigitte Bardot atuou em cerca de 50 filmes e trabalhou com alguns dos principais nomes do cinema europeu. Entre os títulos mais celebrados estão A Verdade, de Henri-Georges Clouzot, e O Desprezo, de Jean-Luc Godard, ambos considerados clássicos do cinema francês. Também marcou presença em produções como Viva Maria! (1965), ao lado de Jeanne Moreau, O Repouso do Guerreiro (1964) e As Petroleiras (1971). Antes mesmo do cinema, Bardot teve formação artística no balé clássico, iniciado ainda na adolescência. Aos 15 anos, passou a atuar como modelo, o que abriu caminho para sua entrada no universo cinematográfico e contribuiu para que se tornasse uma das mulheres mais fotografadas do mundo.
Cantora, musa cultural e ruptura com os holofotes
Na segunda metade da década de 1960, Bardot também se aventurou na música. Em parceria com Serge Gainsbourg, gravou canções que alcançaram grande popularidade na França, como Harley Davidson e Bonnie and Clyde, reforçando sua presença como ícone cultural para além das telas.
Em 1973, no entanto, a atriz tomou uma decisão que surpreendeu o mundo artístico: abandonou definitivamente o cinema aos 39 anos, no auge da fama. A partir de então, passou a viver de forma reclusa em Saint-Tropez e redirecionou sua notoriedade para uma causa que marcaria o restante de sua vida.
Ativismo animal e reconhecimento internacional
Após deixar a atuação, Brigitte Bardot dedicou-se integralmente à defesa dos animais. Criou a Fundação Brigitte Bardot, que se tornou referência internacional no combate à crueldade e à exploração animal, promovendo campanhas, ações judiciais e mobilizações em diversos países.
Segundo a própria atriz, em entrevistas concedidas ao longo dos anos, foi justamente sua carreira no cinema que lhe permitiu alcançar visibilidade suficiente para dar voz à causa animal em escala global. A militância se tornou o principal eixo de sua vida pública nas últimas décadas.
Vida pessoal, controvérsias e posicionamentos políticos
A vida pessoal de Bardot sempre esteve sob os holofotes e se confundiu com sua imagem pública. Seus relacionamentos com atores, músicos e personalidades influentes foram amplamente acompanhados pela imprensa e ajudaram a consolidar sua imagem de mulher livre em plena revolução sexual.
Ao mesmo tempo, suas declarações políticas renderam forte controvérsia. Ao longo dos anos, a atriz foi condenada diversas vezes pela Justiça francesa por falas consideradas ofensivas e discriminatórias, especialmente relacionadas à imigração e ao islamismo. Entre 1997 e 2008, acumulou multas por incitação ao ódio racial. Bardot também demonstrou apoio público à extrema direita francesa, incluindo lideranças da Frente Nacional. Esses posicionamentos passaram a contrastar com a imagem de ícone libertário construída no início da carreira e dividiram opiniões entre admiradores e críticos.
Relação com o Brasil e legado duradouro
Em 1964, Brigitte Bardot passou uma temporada no Brasil em busca de anonimato. Após chegar ao Rio de Janeiro, seguiu para Armação dos Búzios, então um pequeno vilarejo de pescadores. Encantada com a simplicidade do local, permaneceu ali por cerca de três meses. Décadas depois, reconheceu que aquele período marcou profundamente sua vida.
A presença da atriz contribuiu para projetar Búzios internacionalmente como destino turístico. Em sua homenagem, o município criou a Orla Bardot e instalou uma estátua que se tornou um dos pontos mais visitados da cidade. Com a morte de Brigitte Bardot, o cinema francês se despede de uma de suas figuras mais emblemáticas.
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