Chuva amazônica, perfume de ervas e um pequeno fã: os bastidores da visita do príncipe William a Belém
Durante a Cúpula do Clima, herdeiro britânico vive momentos de descontração, elogia fundo florestal brasileiro e revive tradições do pai na Amazônia
Reprodução/Instagram @princeandprincessofwales
A chuva amazônica foi a moldura perfeita para a visita do príncipe de Gales, William, a Belém (PA), nesta quinta-feira (6), durante o segundo dia da Cúpula de Líderes da COP-30. Ao lado do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer (Partido Trabalhista), o herdeiro do trono britânico foi surpreendido por uma pancada tropical enquanto caminhava entre árvores centenárias no Museu Paraense Emílio Goeldi, onde participou de conversas com jovens lideranças amazônicas.
Com um guarda-chuva preto em mãos — que fez a cena lembrar uma típica tarde londrina —, William manteve o sorriso e o bom humor, transformando o imprevisto climático em um momento de descontração e simbolismo. Entre a formalidade da diplomacia e a espontaneidade paraense, o episódio marcou uma das passagens mais curiosas e humanas da presença britânica na capital amazônica.
Chuva amazônica e diálogo com jovens da floresta
A visita de William e Starmer ao museu, um dos principais centros de pesquisa sobre biodiversidade do país, foi dedicada a conversas com representantes de organizações socioambientais que atuam diretamente na Amazônia. O roteiro diplomático, preparado nos mínimos detalhes, foi interrompido pela chuva repentina — um traço marcante das tardes belenenses.
Assim que o temporal cessou, o príncipe retomou o percurso e conversou com Paula Tanscheit, da Alianza Socioambiental Fondos del Sur, e Regilon Matos, engenheiro civil e gestor do Fundo Casa Socioambiental.
“Logisticamente, deve ser muito difícil fazer os recursos chegarem ao redor da Bacia Amazônica. Como vocês fazem isso?”, questionou William, interessado na dinâmica de repasses financeiros para comunidades isoladas.
“Temos parceiros nos territórios indígenas, quilombolas, no campo e na cidade. Garantimos que os recursos cheguem às comunidades de base. Quando um incêndio e uma inundação acontecem, precisamos do recurso disponível de forma rápida. Já apoiamos mais de 160 etnias e fazemos a ponte entre eles e as grandes instituições filantrópicas”, respondeu Matos.
“É fácil para um engenheiro”, reagiu o príncipe, arrancando risos dos presentes e quebrando o protocolo.
Perfume de priprioca e patchouli: o cheiro do Pará que encantou o príncipe
Durante o passeio, William recebeu um presente inesperado. Os jovens Carla Braga, de 28 anos, e Pedro Mota, de 27, da organização CoJovem, entregaram ao príncipe um frasco de banho de cheiro, mistura tradicional vendida por erveiras no Mercado Ver-o-Peso, feita com priprioca e patchouli, ervas aromáticas típicas do Pará.
“Aqui em Belém, usamos o cheirinho do Pará para fazer as coisas boas chegarem. Desejamos investimentos para a juventude”, disse Pedro Mota. “Quero ver como vai se desenrolar em ações”, completou Carla.
O príncipe agradeceu o gesto e comentou que gostaria de conhecer mais sobre as tradições locais, destacando a importância de envolver a juventude amazônica nas políticas de sustentabilidade e preservação.
Elogios e frustrações com o Fundo Florestal
Mais cedo, William e Starmer participaram de reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores – PT) e discursaram na abertura da Cúpula do Clima de Belém. O príncipe elogiou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Facility – TFFF), iniciativa lançada pelo governo brasileiro para remunerar países que preservam suas florestas, com previsão de US$ 4 por hectare.
Apesar do entusiasmo, o fundo não levou o prêmio e acabou sem o aporte britânico esperado. O governo do Reino Unido alegou restrições orçamentárias e adiou a participação como investidor, mesmo tendo contribuído para o desenvolvimento do projeto.
“A proposta do Brasil para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre é um passo visionário em direção a valorizar o papel da natureza na estabilidade climática. É por isso que ela foi finalista do Earthshot Prize este ano”, afirmou William.
Encontro digno de conto de fadas
O momento mais comovente da visita aconteceu no fim da tarde, quando William foi surpreendido por um pequeno fã. Rafael de Sousa Nogueira, de 7 anos, aguardava o príncipe desde as primeiras horas da manhã, vestido de príncipe azul, com capa e detalhes dourados. Ele queria entregar uma carta escolar sobre a Amazônia.
De gravata verde, em sintonia com o evento climático, William se abaixou para conversar e tirou uma foto com o garoto, emocionando quem acompanhava a cena. A mãe do pequeno Rafael, a economista Kattyanne de Sousa, relatou que ambos tentaram ver o príncipe desde as 7h da manhã e conseguiram o encontro apenas às 16h30, na saída do museu.
“Foi um sonho realizado. Ele foi muito gentil, se abaixou para conversar com o meu filho e tirou foto. Vamos guardar para sempre”, contou emocionada.
Belém, entre realeza e floresta
Da chuva amazônica ao perfume de ervas, a passagem de William por Belém sintetizou o encontro entre duas realidades: a sofisticação britânica e a riqueza cultural da Amazônia. Em meio à Cúpula do Clima, a visita reforçou a imagem do Brasil como protagonista ambiental e marcou um raro momento de proximidade entre a realeza britânica e as comunidades da floresta.
A capital paraense, que se prepara para receber a COP-30, viveu um dia de diplomacia, emoção e simbolismo — uma espécie de “Londres tropical”, onde o príncipe se deixou envolver pelos sons, cheiros e afetos da Amazônia.
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