AL-BA aprova Comenda 2 de Julho para diretor de ‘Ainda estou aqui’ por contribuição ao cinema brasileiro
Homenagem para Walter Salles é reconhecimento pela contribuição ao desenvolvimento do cinema brasileiro e sua defesa pela democracia
CHRIS PIZZELLO/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (6), o projeto de resolução que concede ao cineasta Walter Moreira Salles Júnior a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria do estado. A homenagem é um reconhecimento pela contribuição de Salles ao desenvolvimento do cinema brasileiro e sua defesa pela democracia. A proposta foi idealizada pela deputada estadual Maria Del Carmen (PT).
Walter Salles ficou conhecido internacionalmente após dirigir o filme Central do Brasil, de 1998, no qual a atriz Fernanda Montenegro se destacou. Naquela oportunidade, a produção brasileira disputou o Oscar de melhor filme estrangeiro, mas acabou sendo derrotado.
Em fevereiro de 2025, porém, o trabalho de Salles foi reconhecido internacionalmente com a maior conquista da história do cinema brasileiro, com o Oscar de melhor filme estrangeiro para Ainda Estou Aqui.
Projeto apresentado em março
A deputada Maria del Carmen (PT) apresentou projeto de resolução, na AL-BA, propondo homenagear, com a Comenda 2 de Julho, o cineasta Walter Moreira Salles Júnior, “por sua contribuição para o desenvolvimento da Cultura e do Cinema Brasileiro e, sobretudo, sua defesa pela democracia”.
De acordo com a parlamentar, o diretor fez história no cinema mundial ao conquistar o seu primeiro Oscar, na categoria de Melhor Filme Internacional, com “Ainda estou aqui”, definindo a película como uma reflexão dolorosa sobre a memória de um período sombrio dominado por um estado de exceção que durou 21 anos.
“Um lembrete de que o Brasil nunca se desligou de seu passado – um passado que, por mais que tentem esconder, jamais se apagará, pois ele ainda vive nas cicatrizes de uma nação”, refletiu.
A deputada acrescenta que – ao transportar para a tela a história de uma família que tem o ex-deputado Rubens Paiva levado para ‘interrogatório’ pela polícia opressora do Estado, ficando desaparecido para sempre – em paralelo, “demonstra a força de uma mulher extraordinária que, nas palavras do próprio diretor, ‘resolveu não se curvar’ ao desespero, mantendo-se firme para criar os seus filhos e persistir”.
Para Maria del Carmen, o filme é um marco decisivo do Cinema Brasileiro também por dialogar com a história recente do Brasil, “quando sentimos o risco eminente de um golpe de Estado Militar, com a desfaçatez de discursos fascistas e desrespeito aos direitos políticos, sociais e democráticos que nos custaram tão caro em conquistar”.
Na sua justificação, a petista registra nomes e momentos da sétima arte do país, desde o final do século XIX, quando a primeira sessão de cinema no Brasil foi realizada no Rio de Janeiro em 1896, e, na Bahia, no Teatro Politeama de Salvador em 1897.
A deputada também ressalta ainda “o comprometimento do governador Jerônimo Rodrigues ao sancionar lei que institui a Bahia Filmes, que contará com o investimento anual de R$ 22 milhões, sendo R$ 7 milhões de custeio e os outros R$ 15 milhões de investimento, voltados para atrair novos recursos e alavancar a política do cinema na Bahia”.
Sobre Walter Salles
Nascido no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1956, Walter Moreira Salles Júnior é um bilionário brasileiro, filho do banqueiro mineiro Walther Moreira Salles com Elisa Gonçalves. Ele é irmão do documentarista João Moreira Salles e do banqueiro Pedro Moreira Salles, além de meio-irmão do empresário Fernando Roberto Moreira Salles.
Atualmente, Walter Salles é considerado o terceiro cineasta mais rico do mundo, segundo publicação da revista Forbes. Com um patrimônio líquido estimado em 4,4 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 25,1 bilhões), ele fica atrás apenas de Steven Spielberg (5,3 bilhões de dólares) e George Lucas (5,2 bilhões de dólares).
O seu primeiro longa-metragem foi A Grande Arte, de 1991. De lá para cá, ele foi diretor, produtor ou roteirista de outros 15 longas, com destaque para Central do Brasil (1998), Cidade de Deus (2002), Diários de Motocicleta (2004) e Ainda Estou Aqui (2024).
Na televisão, Salles estreou antes, com a série Japão: Uma Viagem no Tempo, de 1986, dando o “start” para chegar ao cinema, com os documentários Krajcberg: O Poeta Dos Vestígios (1987), Marisa Monte (1988) e Chico, ou O País Da Delicadeza Perdida (1989).
Foi com Central do Brasil que ele conseguiu seus primeiros grandes prêmios, passando pelo Urso de Ouro do Festival de Berlim, em 1998, e pelo Globo de Ouro de melhor filme em língua estrangeira, em 1999. Mas nada foi mais comemorado no país que o Oscar, alcançado em março de 2025, por Ainda Estou Aqui.
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