Conheça o espaço espiritual que une cura, resistência e turismo em aldeia xamânica na Bahia
Aldeia Xamânica Xucuru Kariri Xocó oferece rituais, terapias e promove resistência cultural indígena no litoral da Bahia
Divulgação/Assessoria Xamã Yndiã
Em Barra de Pojuca, no litoral norte da Bahia, surge um novo espaço de espiritualidade, acolhimento e resistência cultural: a aldeia xamânica liderada por Xamã Yndiã, da etnia Xukuru-Kariri-Xocó. Ainda em construção, a aldeia visa oferecer rituais indígenas, terapias de cura espiritual e fortalecer a cultura indígena trazida de Alagoas. O projeto, guiado pela espiritualidade, é realizado com recursos próprios e busca apoio da sociedade civil e do poder público.
Segundo a líder espiritual, a conexão com o plano espiritual é algo inato. “Essa conexão a gente já nasce com ela”, afirmou a Xamã Yndiã, que iniciou sua jornada a partir da interação profunda com a natureza e seus elementos de poder, como árvores, rios, pedras e plantas. O contato contínuo com esses elementos aflorou sua missão e guiou o caminho até a fundação da aldeia.
Barra do Pojuca
A escolha de Barra de Pojuca como território não foi aleatória. “Foi uma condução pela espiritualidade, onde dentro dessas terras existem elementos de poder para o nosso povo”, explicou a xamã. A nova aldeia conta com rios, pedras e vegetação sagrada, e surge como um espaço para práticas de cura emocional, energética e espiritual, por meio de rituais indígenas tradicionais.
Entre as principais atividades oferecidas estão defumações, banhos com ervas, cerimônias com jurema vermelha e ayahuasca, além de consagrações de rapé e caxingo. Os visitantes também participam de trilhas, banhos de rio e momentos de reconexão com a natureza.

A terapia xamânica, uma das principais práticas conduzidas por Yndiã, busca atuar nos campos físico, espiritual, mental e emocional. “Trabalhamos com maracas, cristais, defumação, aromaterapia e sons da floresta”, detalhou. Após as práticas, há acolhimento e conversas com os participantes para oferecer direcionamento.
Cultura Indígena
Em meio a um cenário de crescentes adoecimentos emocionais, a xamã acredita que sua atuação é um aprendizado mútuo. “Hoje eu estar como uma xamã e poder trazer para essas pessoas esse direcionamento, para mim, eu sou a maior beneficiada”, reforçou. Para ela, contemplar a natureza é o verdadeiro antídoto contra a fragmentação gerada pelo sistema capitalista.
Além da dimensão espiritual, a aldeia representa um movimento de resistência e identidade. A chegada dos Xukuru-Kariri-Xocó à Bahia contribui para o fortalecimento da cultura indígena no estado. “Estamos vindo para a Bahia para fortalecer o nosso povo alagoano, trazendo a nossa cultura, trazendo o nosso rezo”, explicou Yndiã.
Segundo ela, a presença da nova aldeia em Barra de Pojuca também representa oportunidade de turismo espiritual e sustentabilidade econômica para a região. A ocupação urbana indígena rompe com estigmas coloniais e reafirma o pertencimento ao século XXI.
Apesar do avanço da construção, a aldeia xamânica enfrenta dificuldades, especialmente por não ter direito legal à terra — comprada pela própria xamã. “Por não pertencermos ao território, não temos direito às terras aqui”, relatou. Além disso, a falta de água e infraestrutura básica exige doações e colaboração de voluntários.
“Gostaríamos de ser vistos com mais bondade pelos olhos da sociedade, sem críticas, sem julgamentos”, apela a xamã. Ela denuncia ainda o preconceito enfrentado pelos povos indígenas, frequentemente vistos de forma desrespeitosa. Já em relação ao poder público, destaca a necessidade de apoio jurídico, acesso à documentação e infraestrutura para o funcionamento da aldeia.
Quem deseja conhecer ou apoiar a iniciativa pode entrar em contato diretamente pelo Instagram @xamayndia ou pelo telefone (71) 99215-2318. Visitas podem ser agendadas, e os interessados têm a chance de participar de trilhas, banhos de rio e vivências com as medicinas da floresta.
Yndiã também convida quem puder contribuir com materiais de construção, como cimento, canos e tubulação para garantir acesso à água. “Toda ajuda que vier, é muito bem-vinda”, enfatizou.
Para aqueles que buscam reconectar-se com sua essência, a xamã deixa uma mensagem: “Busquem a natureza. Busque se conectar com a mãe terra. Andando descalço, tomando um banho de rio”. A Nova Aldeia Xamânica propõe, assim, não apenas um retorno às raízes, mas uma profunda transformação pessoal e coletiva.
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