Movimentos de mulheres iniciam organização do 8 de Março de 2026 em Salvador diante do avanço do feminicídio

Encontro reúne entidades sindicais, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para iniciar a construção coletiva do Março Mulher


Redação
Redação 29/01/2026 22:30 • Cidades
Movimentos de mulheres iniciam organização do 8 de Março de 2026 em Salvador diante do avanço do feminicídio - Marci Santos
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Mulheres de diferentes entidades sindicais, movimentos sociais, organizações da sociedade civil e partidos de esquerda realizaram, na noite da última quarta-feira (28), a primeira reunião de organização do 8 de Março de 2026. O encontro marcou o início do processo coletivo de definição das estratégias, ações políticas, estrutura e comunicação do Março Mulher, com foco na mobilização das mulheres trabalhadoras diante do crescimento dos casos de feminicídio no país.

A reunião aconteceu na sede da Força Sindical Bahia, localizada no bairro de Nazaré, em Salvador, e contou com participação híbrida, reunindo mulheres de forma presencial e online. A iniciativa buscou ampliar a participação de diferentes territórios e organizações no processo de construção do ato político do Dia Internacional da Mulher.

Construção coletiva define estratégias do Março Mulher

Durante o encontro, as participantes debateram aspectos centrais da mobilização, como a definição de local e horário do ato, infraestrutura necessária, estratégias de comunicação e a divisão de responsabilidades por meio da formação de comissões. A proposta é garantir uma organização ampla, participativa e articulada entre diferentes setores do movimento de mulheres.

Ao final da reunião, ficou definida a realização de um novo encontro no dia 4 de fevereiro, às 18h, na Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no bairro da Piedade. Na ocasião, serão consolidadas as principais diretrizes do ato e definidas as informações centrais da mobilização.

Unidade e articulação nacional marcam debate do 8M

Representando a Marcha Mundial de Mulheres, Lili Oliveira ressaltou a importância de uma construção coletiva e articulada em nível nacional para o 8 de Março de 2026. Segundo ela, a força da mobilização está na união entre mulheres de diferentes movimentos, territórios e setores do mundo do trabalho.

“A força do 8M está na unidade das mulheres, na organização de base e no planejamento político que conecta os territórios, os movimentos e o mundo do trabalho, porque só juntas conseguimos enfrentar um sistema que explora, oprime e mata”.

Cenário de violência contra as mulheres orienta mobilização

A coordenadora do Levante Feminista Bahia, Sandra Muñoz, fez uma análise do cenário atual de violência de gênero, destacando o avanço dos casos de feminicídio e a necessidade de intensificar a organização política das mulheres. Para ela, o 8 de Março deve reforçar a presença das mulheres nas ruas como forma de enfrentamento.

“Vivemos uma escalada de violência que exige enfrentamento direto, organização permanente e presença nas ruas; lutar contra o feminicídio é lutar pelo direito das mulheres existirem, trabalharem e viverem sem medo”.

Segundo a dirigente, o ato do Dia Internacional da Mulher precisa refletir um posicionamento coletivo em defesa da vida das mulheres, reunindo pautas que dialoguem com a realidade enfrentada cotidianamente por trabalhadoras em diferentes contextos sociais.

Feminicídio de mulheres acima de 50 anos entra no debate

Durante a reunião, Maria do Amparo, da Secretaria Estadual de Mulheres da Força Sindical Bahia, destacou a necessidade de incluir na pauta do 8 de Março o crescimento dos casos de feminicídio contra mulheres com mais de 50 anos. A sindicalista alertou para um padrão recorrente nesses crimes.

Segundo ela, há registros de situações envolvendo homens mais jovens que se aproximam, estabelecem relações afetivas e cometem os assassinatos. “Peço a vocês para que a gente aborde no 8 de Março essa questão, que as mulheres idosas também estão sendo mortas”.

A Força Sindical também esteve representada na reunião pela dirigente nacional Kizzy Adriana, reforçando o compromisso da entidade com a construção do 8 de Março e com a mobilização das mulheres trabalhadoras no enfrentamento às desigualdades e à violência de gênero.

O processo de organização do 8 de Março de 2026 segue em construção, com novas reuniões previstas e a ampliação do diálogo entre movimentos, sindicatos e organizações que atuam na defesa dos direitos das mulheres em Salvador e na Bahia.

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