Inep nega vazamento após polêmica do Enem e diz que memorização de questões não altera ‘nenhum resultado’
Presidente do Inep, Manuel Palácios reiterou que coincidências entre itens vistos previamente e questões aplicadas neste ano não configuram vantagem indevida
Angelo Miguel/MEC
O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Manuel Palácios, afirmou, nesta terça-feira (25), que a memorização de perguntas por estudantes não compromete a segurança do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A declaração é dada em meio ao anulamento de três questões por similaridade com conteúdos divulgados em redes sociais.
Segundo Manuel, não houve risco ao sigilo do exame nem alteração no desempenho final dos participantes. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, Palácios disse que “não há nenhuma injustiça” e declarou que “nenhum resultado da prova, a nota que o estudante receberá, o final deste processo, nada será afetado por essa lembrança”. Ele reiterou que coincidências entre itens vistos previamente e questões aplicadas neste ano não configuram vantagem indevida.

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
Auditoria e origem das coincidências
O presidente do Inep afirmou que “a memorização de algumas questões não coloca em risco qualquer aspecto de segurança ou de sigilo do exame. Não há injustiça. Nenhuma nota será afetada por essa lembrança eventual”. Ele acrescentou que eventuais acertos casuais não distorcem o desempenho.
“Ver uma questão que cai por coincidência não altera o resultado de ninguém. A probabilidade de acerto ao acaso já é de 20%”, disse.
Palácios informou que uma auditoria interna concluiu que o estudante Edcley Teixeira não teve acesso ao caderno de prova do Enem 2025, que os demais itens exibidos em transmissões on-line não foram comprometidos e que as coincidências ocorreram por causa do uso de bancos de itens compartilhados em pré-testes feitos por instituições públicas. Esses bancos são utilizados em avaliações aplicadas pelo governo federal para medir dificuldade de possíveis questões futuras.
Esses pré-testes incluem provas como o Prêmio Capes de Talento Universitário, nas quais participantes recebiam pagamento para memorizar perguntas utilizadas na calibração de itens. Palácios afirmou que “em nenhum momento o Enem esteve em risco” e que não haverá novas anulações, uma vez que não foi identificada quebra de sigilo ou acesso antecipado ao exame.
Caso Edcley Teixeira
Cinco dias antes das provas realizadas nos dias 9 e 16 de novembro, Teixeira divulgou em uma transmissão ao vivo questões idênticas às aplicadas no Enem 2025. Entre elas estavam uma pergunta sobre fotossíntese oxigênica e outra envolvendo o parcelamento de uma compra de R$ 60 mil em seis vezes, ambas com números e estrutura semelhantes às cobradas oficialmente.
Após auditoria, o Inep informou à TV Globo que Teixeira não teve acesso prévio ao exame e que não pretende anular outras questões. O estudante afirma publicamente que antecipa conteúdos com base em edições anteriores e em provas usadas pelo Ministério da Educação para testar dificuldades de itens que podem ser incluídos no Enem.
Ele também remunerava estudantes para memorizarem questões do pré-teste aplicado no Prêmio Capes de Talento Universitário. Procurado pelo Estadão, Teixeira não respondeu. Ao Fantástico, da TV Globo, ele afirmou no domingo (23) que “as similaridades pontuais foram coincidência” e que “não sabia” que questões idênticas às divulgadas cairiam na prova.
Polícia Federal investiga
Horas antes da exibição da entrevista, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão na casa de Teixeira, no Ceará, no âmbito da investigação sobre suspeita de fraude no exame. O celular e o notebook do estudante foram apreendidos.
Nesta terça-feira (25), foram identificadas mais duas questões divulgadas por ele que eram praticamente idênticas às aplicadas no Enem. O Inep, contudo, reiterou que o estudante não teve contato com a versão oficial do exame e atribuiu as coincidências à reutilização de itens de pré-testes, prática comum na elaboração de provas de larga escala.
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