Desemprego na Bahia cai para 9,1%, mas Estado segue na 3ª posição no ranking nacional
Apesar da queda histórica, desafios como informalidade e subutilização da força de trabalho ainda impactam mercado baiano
José Cruz/Agência Brasil
A taxa de desemprego na Bahia apresentou queda significativa no segundo trimestre de 2025, registrando 9,1%, o menor índice para o Estado nos últimos 13 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) divulgados nesta sexta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar da melhora, a Bahia continua entre as unidades da federação com as maiores taxas de desocupação do país, ocupando a 3ª posição no ranking nacional, atrás de Pernambuco (10,4%) e Piauí (10,2%).
O levantamento mostra que a taxa média nacional caiu de 7,0% no primeiro trimestre para 5,8% no segundo trimestre de 2025. No mesmo período, a capital baiana, Salvador, registrou 8,5% de desempregados, consolidando a menor taxa histórica da série para a cidade. No entanto, a Região Metropolitana de Salvador (RMS) apresentou leve aumento, passando de 9,9% para 10,0%, mantendo-se como a maior taxa entre as regiões metropolitanas investigadas.
Perfil do desemprego no Estado
Entre abril e junho, a população ocupada na Bahia atingiu 6,458 milhões de pessoas, número recorde para o Estado, representando aumento de 3,4% (+214 mil ocupados) em relação ao trimestre anterior e alta de 6,7% (+407 mil) em comparação ao segundo trimestre de 2024. O crescimento da ocupação foi impulsionado principalmente pelo aumento de empregados no setor público (+93 mil) e trabalhadores por conta própria (+91 mil).
Ao mesmo tempo, o total de pessoas procurando emprego, incluindo desocupados, somou 648 mil, número que representa queda de 16,5% em relação ao primeiro trimestre e de 13,5% frente ao mesmo período do ano passado. O dado confirma a redução histórica do contingente de desocupados no estado.
Informalidade e subutilização
Apesar da queda no desemprego, a Bahia registrou altos índices de informalidade, com 3,4 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, o maior número da série histórica de 9 anos da PNAD Contínua. No Brasil, a taxa de informalidade no segundo trimestre foi de 37,8%, enquanto a Bahia atingiu 52,3%.
A subutilização da força de trabalho também permanece elevada no Estado, alcançando 27,0% no período, índice inferior apenas ao do Piauí (30,2%) e Sergipe (26,0%). O indicador mede a soma de pessoas desocupadas, subocupadas e marginalmente inseridas no mercado de trabalho.
Diferenças por sexo, raça e escolaridade
Os dados do IBGE mostram que o desemprego continua afetando mais mulheres do que homens. Na Bahia, a taxa para mulheres foi de 6,9%, enquanto para homens ficou em 4,8%. Por cor ou raça, o desemprego foi menor entre brancos (4,8%) e mais elevado entre pretos (7,0%) e pardos (6,4%).
O nível de escolaridade também influencia o acesso ao trabalho: pessoas com ensino médio incompleto apresentaram taxa de desocupação de 9,4%, quase três vezes maior que aqueles com nível superior completo, cuja taxa foi de 3,2%.
Rendimento médio
O rendimento médio dos trabalhadores baianos recuou 1,2% de um trimestre para o outro, chegando a R$ 2.199, o segundo mais baixo entre os estados. Na RMS, houve leve queda de 0,2%, atingindo R$ 2.921, enquanto em Salvador o rendimento médio cresceu 2,1%, chegando a R$ 3.120.
Ranking nacional: taxa de desemprego
De acordo com a PNAD Contínua do IBGE, o Brasil registrou queda na taxa de desemprego em todas as 27 Unidades da Federação na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2025. Apesar da melhora, cerca de 1,54 milhão de brasileiros permanecem desempregados há 2 anos ou mais, enquanto outros 1,913 milhão buscam trabalho há pelo menos um ano, mostrando que o desemprego de longa duração ainda é um desafio significativo.
A média nacional de desocupação caiu de 7,0% para 5,8%, com quedas estatisticamente significativas em 18 estados. Em termos de ranking de desemprego no país, as maiores taxas no 2º trimestre de 2025 foram registradas em:
- Pernambuco – 10,4%
- Piauí – 10,2%
- Bahia – 9,1%
- Distrito Federal – 8,7%
No mesmo período, as menores taxas foram observadas em Santa Catarina (2,2%), Rondônia (2,3%) e Mato Grosso (2,8%). Entre as regiões metropolitanas, a RMS apresentou a maior taxa de desocupação, de 10,0%, enquanto Salvador registrou 8,5%, a menor da série histórica da capital.
Desigualdades e desafios do mercado de trabalho no Brasil: gênero, raça, escolaridade e informalidade
A pesquisa também revela desigualdades por gênero, raça e escolaridade. As mulheres continuam com desemprego mais elevado (6,9%) que os homens (4,8%), enquanto brancos tiveram taxa abaixo da média nacional (4,8%), e pretos (7,0%) e pardos (6,4%) ficaram acima. A escolaridade também influencia: pessoas com ensino médio incompleto registraram 9,4% de desocupação, quase três vezes mais do que quem possui nível superior completo (3,2%).
Além disso, o Brasil enfrenta altos índices de informalidade e subutilização da força de trabalho. A taxa de informalidade nacional foi de 37,8%, sendo mais elevada em Maranhão (56,2%), Pará (55,9%) e Bahia (52,3%). Já a subutilização, que inclui desocupados, subocupados e marginalmente inseridos, atingiu 14,4% em média nacional, com os maiores índices no Piauí (30,2%), Bahia (27,0%) e Sergipe (26,0%).
O cenário aponta para avanços importantes na redução da desocupação, mas evidencia que a recuperação do mercado de trabalho ainda é desigual, especialmente para grupos historicamente mais vulneráveis e para aqueles em situação de desemprego prolongado.
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