Brasil estuda criar seu próprio sistema GPS para reduzir dependência externa
Até o momento, não houve qualquer sinalização oficial dos EUA sobre possível restrição ao uso do GPS no Brasil
Antony Freitas / Unsplash
O governo federal instituiu um grupo técnico para avaliar a possibilidade de o Brasil desenvolver um sistema próprio de geolocalização por satélite. A iniciativa busca analisar riscos e vantagens diante da atual dependência de tecnologias controladas por outras nações, como o GPS dos Estados Unidos. As informações são da Agência Brasil.
O grupo foi criado no início de julho por meio da Resolução nº 33, do Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro, assinada pelo ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Marcos Antonio Amaro dos Santos. A equipe terá 180 dias, contados a partir de 14 de julho, para apresentar um relatório com suas conclusões e recomendações.
Sistema nacional de GPS está em debate
De acordo com o diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira (AEB), Rodrigo Leonardi, na última segunda-feira (21) que o grupo está em fase de organização. A AEB é um dos 14 órgãos que integram o grupo técnico, que poderá convidar representantes de outras instituições com capacidade para contribuir com o tema.
“Vamos procurar entender os gargalos, as dificuldades, os prós e contras de desenvolvermos um sistema destes”, afirmou Leonardi.
Ele destacou que, até o momento, o Brasil priorizou investimentos em satélites voltados ao monitoramento territorial, e que o novo debate considera um possível sistema de navegação regional ou global.
“No Brasil, historicamente, priorizamos o debate acerca de outros aspectos espaciais, como a necessidade de termos satélites para monitoramento territorial. Agora, vamos discutir se queremos ou não ter nosso próprio sistema de navegação; o investimento necessário para fazê-lo e, se for o caso, a necessidade nacional de ter um sistema global ou um sistema regional, capaz de cobrir todo nosso território”.
Leonardi reconheceu que, caso o país opte por desenvolver o sistema, será necessário um volume de investimentos muito superior ao atual. “Qualquer que seja o caso, se o país concluir que deve fazer isso, o patamar de investimentos terá que ser muitas vezes maior que o atualmente investido no programa espacial brasileiro”, disse.
A resolução do GSI antecedeu discussões públicas e rumores nas redes sociais sobre a possibilidade de os Estados Unidos limitarem o sinal do GPS para o Brasil. O tema ganhou força após o então presidente norte-americano Donald Trump anunciar, em julho, novas tarifas sobre produtos brasileiros.
“Este é um típico caso de ruído surgido nas mídias sociais, capaz de gerar ansiedade. E uma coincidência, porque já vínhamos discutindo o tema há tempos, de maneira que a criação do grupo não teve nenhuma relação com o que aconteceu depois”, declarou Leonardi.
Alternativas ao GPS
Leonardi ressaltou que não houve qualquer sinalização oficial dos EUA sobre possível restrição ao uso do GPS no Brasil. Ele lembrou que há outros sistemas globais disponíveis, como o Glonass (Rússia), Galileo (União Europeia) e BeiDou (China), além de sistemas regionais como o NavIC (Índia) e o QZSS (Japão).
“O GPS é o sistema de propriedade dos EUA, mas há outros, globais, como o Glonass; o Galileo e o BeiDou. Estes têm cobertura global e podem ser utilizados, inclusive, no e pelo Brasil”, disse. “Com isso em mente, é lógico cogitar que, em tese, os EUA poderiam degradar ou até mesmo restringir o sinal de seu GPS para determinadas regiões, mas esta seria uma medida tão drástica que, a meu ver, só se justificaria se a segurança nacional dos EUA estivesse sendo ameaçada”, acrescentou.
Leonardi ainda afirmou que uma ação desse tipo teria impactos negativos também para empresas norte-americanas que atuam no Brasil, como operadoras de aplicativos de transporte e entrega, além de riscos operacionais na aviação civil. “Outras nações também seriam prejudicadas, já que não há como limitar o sinal para todo um território sem afetar países fronteiriços”, explicou.
Aparelhos já operam com múltiplos sinais
O professor da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do Laboratório de Automação e Robótica (Lara), Geovany Araújo Borges, observou que os EUA teriam capacidade técnica para restringir o GPS, mas considera improvável que adotem essa medida. Ele destacou que muitos dispositivos já operam com sinais de diferentes sistemas.
“A maioria dos aparelhos celulares, por exemplo, já é multiconstelação, ou seja, é capaz de receber, automaticamente, o sinal de diferentes sistemas. De forma que, em termos de localização, nossos celulares seguiriam funcionando normalmente se deixássemos de receber o sinal do GPS”, explicou.
Segundo o professor, a mesma lógica se aplica a veículos, aeronaves, equipamentos industriais e sistemas militares. “Se o sistema de sincronização for redundante, o impacto será limitado”, afirmou Borges, ressaltando que a dependência do Brasil nesse setor estratégico justifica a busca por uma solução própria.
Projeto exige recursos e continuidade
Borges defendeu que o Brasil fortaleça sua capacidade tecnológica em áreas estratégicas. “Várias áreas perdem com isso. Não só porque um país independente tem que ter um setor de defesa aeroespacial forte, como porque o desenvolvimento de tecnologias aeroespaciais beneficia outros segmentos, como, por exemplo, a medicina, a indústria e a agropecuária”, afirmou.
Ele afirmou que o país possui recursos humanos qualificados, mas enfrenta limitações orçamentárias e estruturais para iniciar um projeto de grande porte. “Nosso problema não é RH. É dinheiro. Temos pessoal capacitado. A questão é se temos condições de bancar um projeto desta envergadura”, declarou.
Borges lembrou ainda que o país precisaria desenvolver a indústria de microeletrônica, investir mais em educação e garantir a continuidade do projeto em diferentes governos. “Neste sentido, ainda que tardia, é positiva a criação de um grupo de especialistas para debater o tema”, disse.
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