Se houver, ao vencedor, as batatas. Claro, as que sobrarem
Neste artigo, Gerson Brasil analisa os impactos da guerra tarifária global no consumo, nas desigualdades sociais e na resistência ao modelo assistencialista
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Por enquanto, o consumidor está ouvindo e lendo sobre os acontecimentos, um pouco assustado, mas sem entrar em pânico. Isto porque, as análises estão concentradas sobre os efeitos da guerra tarifária no aspecto global da economia. O noticiário já mostrou trilhões de dólares desaparecendo de repente, fazendo inveja ao ilusionionista Harry Houdini, homem capaz de se soltar de algemas em situações de alto risco, como ser suspenso sobre a cidade de Nova York, submerso na água ou enterrado em um caixão. A multidão o consagrou como o maior mágico da história, mas não conseguiu escapar da morte, no dia 31 de outubro de 1926.
Algumas pessoas perderam trilhões de dólares e milhões de pessoas, longe de se acomodar nessa montanha de dinheiro, não lamentaram, não choraram e nem emprestaram solidariedade; o indicativo de uma certa irrelevância da Bíblia, da missa e dos cultos. Parece que os estudantes parisienses de Maio de 1968 estavam corretos. “Amai-vos uns sobre os outros”.
Trump querer que americanos e demais cidadãos, espalhados pelo mundo, exaltem a conquista de milhões de produtos, aplaudindo o aconselhamento do Gênesis 3:19; comerás o pão com o suor do teu rosto, e não porque é barato, devido às condições de produção, impulsionada por trabalhadores de baixíssima remuneração, localizados em países asiáticos.
Orgulho e patriotismo são mercadorias vendáveis, mas há outras como preço mais baixo e responsáveis pelo entesouramento de riqueza, devido ao pouco desembolso ao comprá-las. Mas existe muita gente nas redes sociais que é contra o consumismo, e aconselham que as pessoas se desfaçam do supérfluo. Em Nova Iorque, jovens ‘luditas’ não pintam as unhas, não gostam de celular, não compram roupas, vão de “Crime e Castigo” de Dostoiévski e abraçam Jack Kerouac, algumas ideias na cabeça e cabelos ao vento.
Em contraste, a multidão quer consumir, de imediato, e faz fila na porta da loja para comprar a última versão do jogo eletrônico, do celular ou do relógio, a substituir o médico, e demonstrar como o corpo está funcionando. Se detectar algum defeito, a revelação vem de súbito.
A guerra tarifária ainda não chegou ao bolso do consumidor em lugar nenhum do mundo e não se sabe se haverá renúncia ao consumismo ou revolta, principalmente entre os americanos. Por mais que Donald Trump possa fazer muita coisa, a Constituição e o desejo das pessoas não carecem da opinião do presidente dos Estados Unidos. Na China, a situação é bem diferente, isto porque, Xi Jinping tem o país sobre controle.
Mas a pujante China de Xi já precisava nos últimos anos que o povo consumisse mais para evitar que a economia estagnasse, devido a alta produção e o excesso de poupança, como aconteceu no Japão. Agora, necessita urgentemente que o povo consuma, para dar conta do oceano de produtos que ficarão encalhados, e não haverá espaço para jogá-los no quintal dos outros países. Mas os chineses não querem saber de gastar e nem contam com a ajuda do governo. Crédito fácil, para torrar em sorvete ou roda gigante, nem pensar. A jornalista Li Yuan numa matéria no Wall Street Journal, de 11 de abril, disse que Xi, “em um discurso de 2021, se manifestou contra o “assistencialismo”, afirmando: “Uma vez que os benefícios sociais aumentam, eles não diminuem mais”. Ou seja, é refratário ao Bolsa Família e aposta que vencerá os EUA, com a resiliência dos seguidores.
O fato é que os chineses não têm aposentadoria e a vida se reduz a trabalhar duro e poupar o máximo. Li escreve “que 600 milhões de chineses levam para casa menos de US$ 140 por mês e têm benefícios sociais mínimos, um dos principais motivos pelos quais economizam tanto e consomem menos do que a economia precisa”. A guerra tarifária pode levar a um vencedor, se houver, com direito as batatas. Claro, as que sobrarem.
*Gerson Brasil, jornalista, escritor e secretário de Redação da Tribuna da Bahia
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