Hugo Motta reage à derrota do governo e dispara: ‘presidente de poder não pode servir a um partido’

Presidente da Casa afirma que Executivo foi alertado sobre IOF e acusa governo de tentar gerar polarização social após revés no Congresso


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 30/06/2025 12:38 • Política
Hugo Motta reage à derrota do governo e dispara: ‘presidente de poder não pode servir a um partido’ - Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), reagiu publicamente às críticas de integrantes do governo Lula sobre a derrubada do decreto que ampliava a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Em vídeo publicado na manhã desta segunda-feira (30), em sua conta oficial no Instagram, Motta classificou como “fake” a narrativa de que o Congresso teria surpreendido o Executivo e negou qualquer traição política por parte da Casa Legislativa.

Segundo ele, o governo foi previamente alertado sobre a dificuldade de aprovar o aumento do tributo. Na postagem, o deputado ainda afirma que é falso que o Congresso “não olha para o povo” e que o governo teria sido pego de surpresa pela decisão.

“A Câmara dos Deputados, com 383 votos, de deputados de esquerda e de direito, decidiu derrubar um aumento de imposto sobre o IOF. Um imposto que afeta toda a cadeia econômica. A polarização política no Brasil tem cansado muita gente. E agora querem criar a polarização social”, disse Motta. 

Presidente da Câmara nega alinhamento automático e critica radicalização

O deputado paraibano também aproveitou a publicação para rebater críticas que o classificam como inconstante. “Se uma ideia for ruim para o Brasil, eu vou morder. Mas se essa ideia for boa, eu vou assoprar, para que ela possa se espalhar por todo o país”, explicou. 

“Ser de centro não é ter ausência de posição. É ter ausência de preconceito”, completou Motta.

O parlamentar argumentou ainda que a polarização política tem exaurido o debate público no Brasil. “A polarização política no Brasil tem cansado muita gente, e agora querem criar a polarização social”, afirmou, sugerindo que o discurso do governo tenta antagonizar artificialmente o Parlamento e a população.

Propostas do Executivo foram aprovadas na mesma sessão

Ainda na postagem, Motta também lembrou que, na mesma sessão em que o decreto do IOF foi rejeitado, a Câmara aprovou matérias de interesse do Executivo, como a proposta do crédito consignado privado e a Medida Provisória do Fundo Social. O parlamentar usou esse argumento para reforçar que o Congresso não atua de forma sistemática contra o governo e as decisões são tomadas com base no mérito de cada proposta.

A movimentação em torno da votação do decreto foi articulada com antecedência por líderes partidários próximos a Motta. O aviso formal sobre a inclusão do tema na pauta, no entanto, só foi feito aos líderes por meio de um grupo de WhatsApp, após o deputado anunciar a medida na rede social X, na noite anterior à votação.

Derrota acirra debate sobre articulação política no governo

A derrota do governo na votação do IOF expôs, mais uma vez, a fragilidade da articulação política do Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Apesar de contar com uma base formal ampla, o Executivo tem enfrentado dificuldades para manter o apoio em votações sensíveis, especialmente na Câmara.

Aliados de Lula, como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), classificaram a derrubada do decreto como um revés inesperado e criticaram o presidente da Casa por não ter sinalizado com mais clareza a disposição de pautar o tema. Já Motta reforçou que sua posição foi coerente com os alertas feitos previamente e que sua função institucional exige independência em relação aos interesses partidários.

“Um presidente de Poder não pode servir a um partido. Ele tem que servir ao seu país”, enfatizou o presidente da Câmara.

A fala de Hugo Motta reacende o debate sobre a autonomia do Legislativo frente ao Executivo e sobre o papel da Congresso na mediação entre os interesses do governo e as demandas da sociedade. O episódio também deve influenciar a estratégia de articulação do Planalto nos próximos meses, especialmente em pautas econômicas com impacto direto na população.

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