Bahia reforça combate a bebidas falsificadas com treinamento técnico para o Carnaval 2026
Treinamento antecede a festa e responde a registros recentes de intoxicação por metanol, associados ao consumo de bebidas destiladas falsificadas e adulteradas
Feijão Almeida/GOVBA
O Governo da Bahia realizou, nesta segunda feira (9), um treinamento técnico voltado à prevenção da comercialização de bebidas falsificadas e adulteradas durante o Carnaval 2026. A iniciativa foi detalhada em coletiva realizada na sede da Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor da Bahia (Procon-BA), em Salvador, e integra um conjunto de ações voltadas à proteção da saúde da população, à defesa do consumidor e à organização do trabalho no maior evento popular do estado.
A ação é coordenada pelo Procon BA, órgão vinculado à Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (SJDH), em parceria com a Associação Brasileira de Bebidas (Abrabe) e cooperativas de catadores. O treinamento antecede a festa e responde a registros recentes de intoxicação por metanol, associados ao consumo de bebidas destiladas falsificadas e adulteradas, situação que representa risco elevado à saúde, especialmente em períodos de grande concentração de pessoas.
“Nós estamos aqui hoje numa parceria para que a gente possa promover trabalho decente e proteger a saúde da população”, afirmou o secretário Felipe Freitas.
Capacitação articula saúde defesa do consumidor e segurança pública
O treinamento envolve agentes estaduais das áreas de defesa do consumidor, saúde e segurança pública, além de fornecedores de bebidas. O foco das capacitações está na identificação de irregularidades, no armazenamento adequado, na aquisição de produtos com origem comprovada e no descarte seguro das embalagens de vidro.
O planejamento apresentado considera a dinâmica do Carnaval e a complexa cadeia que envolve produção, comercialização e descarte de bebidas. A estratégia busca reduzir a circulação de produtos ilegais e evitar que embalagens retornem ao mercado clandestino, prática associada à falsificação e à adulteração de bebidas alcoólicas.
Postura preventiva e responsabilidade na comercialização
Durante a apresentação, a presidente executiva da Abrabe, Cristiane Foja, ressaltou a importância da postura preventiva adotada na Bahia, com atenção direta à segurança do consumidor e à responsabilidade dos comerciantes.
“Existe uma preocupação clara de que o comerciante entenda que não pode comprar bebida sem nota fiscal e colocar à disposição do consumidor. Tivemos muitos casos recentes de intoxicação por metanol no país, e esse tipo de prática coloca a população em risco”, ressaltou.
Segundo a Abrabe, a atuação conjunta com o poder público fortalece o controle sobre a origem dos produtos e amplia a capacidade de fiscalização durante eventos de grande porte, como o Carnaval.
Descarte do vidro protege catadores e impede reutilização ilegal
Um dos pontos centrais da estratégia é o destino das embalagens após o consumo, considerado decisivo para impedir que garrafas retornem à cadeia ilegal de bebidas. O Centro de Arte e Meio Ambiente, por meio de suas cooperativas, atua diretamente na logística reversa do vidro durante o período carnavalesco.
De acordo com o coordenador executivo do Camapet, Joilson Santana, os profissionais recebem kits com equipamentos de proteção individual, incluindo óculos, luvas e canetas específicas para a marcação do vidro, além de orientações técnicas para a descaracterização das embalagens.
“A ideia é garantir a segurança desses profissionais durante o processo de recolhimento e descaracterização das embalagens, especialmente no Carnaval, evitando que o material chegue a locais indevidos e contribuindo para a proteção da saúde e do meio ambiente”, explicou.
Inclusão social e organização do trabalho no Carnaval
A organização do descarte também é apresentada como instrumento de inclusão social e geração de renda. Ao assegurar que o recolhimento seja feito por cooperativas contratadas, a política pública fortalece o trabalho decente, amplia o controle sobre o fluxo do vidro e reduz riscos de reaproveitamento fraudulento, além de impactos ambientais.
Essa articulação entre Estado, setor produtivo e catadores busca estruturar uma resposta permanente para grandes eventos, integrando proteção à saúde, combate ao comércio ilegal e valorização do trabalho.
Denúncias e papel da população na prevenção
A participação da população foi destacada como elemento essencial para o funcionamento da estratégia. Segundo Felipe Freitas, consumidores devem estar atentos a sinais de irregularidade e acionar os órgãos competentes sempre que houver suspeita.
“Se houver dúvida sobre a qualidade da bebida, se o rótulo estiver diferente, se a coloração não for como a habitual ou se o preço estiver muito abaixo do valor de mercado, é fundamental procurar os órgãos de defesa do consumidor e as forças de segurança”, afirmou.
Como desdobramento da iniciativa, foi lançada uma recomendação técnica em formato de guia, com diretrizes para a gestão de resíduos e a logística reversa das embalagens de vidro. O documento orienta comerciantes, fornecedores e organizadores de eventos sobre práticas seguras de descarte e reforça a inclusão socioeconômica de catadores e catadoras, consolidando o esforço do Estado para reduzir riscos à saúde e organizar o Carnaval 2026 com mais segurança.
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