São Silvestre completa 100 anos e reúne 55 mil atletas nesta quarta-feira em São Paulo

Edição centenária reúne corredores de 48 países, mantém percurso tradicional e encerra o ano esportivo na Avenida Paulista


Daniel Freitas
Daniel Freitas 30/12/2025 07:30 • Esporte
São Silvestre completa 100 anos e reúne 55 mil atletas nesta quarta-feira em São Paulo - Rovena Rosa/Agência Brasil
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A mais tradicional corrida de rua do Brasil atravessa um marco histórico em 2025. Realizada sempre no dia 31 de dezembro, que neste ano cairá na próxima quarta-feira, a Corrida Internacional de São Silvestre celebra 100 anos, reafirmando seu status como um dos eventos esportivos mais icônicos do país e uma referência mundial no atletismo de rua. Criada em 1925, a prova faz da Avenida Paulista, em São Paulo, um cenário de celebração, reunindo memórias, personagens emblemáticos e diferentes gerações de corredores ao longo de um século.

Nesta edição centenária, a São Silvestre contará com 55 mil atletas de 48 países, reforçando o alcance global da competição. As inscrições já estão esgotadas, evidenciando mais uma vez o prestígio da corrida que, tradicionalmente, encerra o calendário esportivo brasileiro.

Horários de largada da São Silvestre 2025

A programação oficial estabelece seis momentos de largada na Avenida Paulista:

  • 7h25 — Atletas PCD (cadeirantes)
  • 7h40 — Elite feminina
  • 8h05 — Elite masculina
  • 8h06 — Atletas PCD (demais categorias)
  • 8h08 — Pelotão premium (masculino e feminino)
  • 8h10 — Pelotão geral (masculino e feminino)

O pelotão geral será organizado em ondas, conforme o ritmo informado no momento da inscrição. A organização orienta que os participantes cheguem à área de largada com pelo menos 45 minutos de antecedência para evitar contratempos. A cobertura ao vivo da prova será transmitida pela TV Globo e pela TV Gazeta, que mostrarão todos os momentos da corrida, das primeiras largadas à chegada dos atletas vencedores.

Percurso da São Silvestre 2025 mantém tradição e exige resistência

Com 15 quilômetros, o trajeto da Corrida Internacional de São Silvestre segue como um dos elementos mais marcantes da prova. A largada será na Avenida Paulista, no trecho entre as ruas Frei Caneca e Augusta, enquanto a chegada acontece em frente ao prédio da Fundação Cásper Líbero, no número 900 da via.

Durante o percurso, os atletas atravessam alguns dos cartões-postais mais conhecidos de São Paulo, entre eles:

  • Estádio do Pacaembú
  • Praça da República
  • Theatro Municipal
  • Centro histórico da capital
  • Elevado Presidente João Goulart
  • Avenida Brigadeiro Luís Antônio

A combinação de trechos planos com subidas tradicionais, como a da Brigadeiro, torna o desafio ainda maior, exigindo preparo físico, estratégia e resistência ao longo dos 15 km.

Retirada dos kits da São Silvestre 2025

A entrega dos kits teve início no sábado (27) e ocorre no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera. Os horários são:

  • Até segunda-feira (29): das 9h às 20h
  • Terça-feira (30): das 9h às 18h

Para retirar o kit, é necessário apresentar documento oficial com foto e o protocolo de inscrição, em formato impresso ou digital. A organização reforça que não haverá retirada de kits no dia da prova.

Origem da São Silvestre e inspiração europeia

A história da São Silvestre começa em 1925, idealizada pelo jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero. Inspirado por uma corrida noturna que assistiu em Paris, em 1924, ele decidiu criar no Brasil uma prova que ocorresse sempre no último dia do ano. Assim, em 31 de dezembro de 1925, foi realizada a primeira edição da corrida, batizada em homenagem a São Silvestre, santo celebrado na data.

“A São Silvestre foi uma ideia do jornalista, empresário e advogado Cásper Líbero. Ele estava passeando por Paris em 1924 e assistiu uma prova em que os corredores empunhavam tochas, fazendo um efeito super lindo à noite, com aquela vibração toda. Ele gostou, se entusiasmou e trouxe a ideia para o Brasil, para São Paulo. E já em 1925 ele criou a primeira edição da corrida de São Silvestre. Na época, inclusive, São Silvestre era escrito com Y. Foi aí que nasceu a nossa prova, que hoje está completando a sua centésima edição”, diz Eric Castelheiro, diretor-executivo da Corrida Internacional de São Silvestre

Primeiro campeão e marco histórico

O vencedor da edição inaugural foi Alfredo Gomes, atleta negro que completou o percurso em 23 minutos e 19 segundos. Ele já era um nome de destaque do esporte nacional, pois havia representado o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris, em 1924, tornando-se o primeiro atleta negro brasileiro a disputar uma Olimpíada.

“O Alfredo Gomes era um atleta negro. Em 1924, um ano antes da primeira edição da São Silvestre, ele já fazia sucesso porque estava representando o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris. Ele foi o primeiro negro a representar o país”, explica Castelheiro.

Da fase nacional à internacionalização

Nas primeiras décadas, a São Silvestre contou exclusivamente com atletas brasileiros. A abertura para estrangeiros residentes no Brasil ocorreu em 1927, o que permitiu ao italiano Heitor Blasi, radicado em São Paulo, vencer as edições de 1927 e 1929. Ele foi o único estrangeiro campeão durante a fase nacional, que durou até 1944.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a corrida iniciou um processo de internacionalização. Primeiro, com atletas da América do Sul e, a partir de 1947, com competidores de todo o mundo. Esse período marcou um longo jejum brasileiro: foram 34 anos sem vitórias nacionais, quebrado apenas em 1980.

Quebra do tabu e impacto nacional

A quebra desse tabu aconteceu com a vitória do pernambucano José João da Silva, em 1980. O triunfo teve impacto nacional e transformou o atleta em um símbolo de superação. Vindo de uma infância de trabalho precoce nas lavouras de Pernambuco, ele viu sua vida mudar radicalmente após vencer a prova. A conquista foi celebrada como um evento histórico, comparável a grandes vitórias esportivas do país.

Entrada das mulheres e fortalecimento feminino

As mulheres passaram a competir na São Silvestre em 1975, ano em que a alemã Christa Valensieck venceu a primeira edição feminina. Desde então, a presença feminina cresceu e se fortaleceu, revelando grandes nomes e ampliando o alcance da corrida.

Ídolos brasileiros e inspiração popular

Entre os maiores nomes brasileiros da era internacional está Marílson Gomes dos Santos, recordista nacional com três vitórias (2003, 2005 e 2010). Seu desempenho ajudou a impulsionar o crescimento das corridas de rua no país e inspirou milhares de novos praticantes.

Outro exemplo emblemático é Maria Zeferina Baldaia, campeã em 2001. Ex-boia-fria, ela correu por 15 anos descalça, enfrentando sol forte, estradas de terra e dificuldades extremas até se tornar atleta profissional. Inspirada ao assistir à São Silvestre pela televisão, Zeferina transformou sua trajetória em símbolo de possibilidade e ascensão social. Seu reconhecimento foi tamanho que o Centro Olímpico de Sertãozinho, no interior de São Paulo, recebeu seu nome.

Maiores vencedores da história

A maior vencedora da São Silvestre é a portuguesa Rosa Mota, com seis títulos consecutivos no início dos anos 1980. Entre os homens, o queniano Paul Tergat aparece em segundo lugar, com cinco vitórias. Entre os brasileiros, Marílson Gomes dos Santos lidera, com três conquistas.

Desde que a prova se tornou internacional, em 1945, o Brasil venceu 16 vezes, sendo 11 no masculino e cinco no feminino. A última vitória brasileira entre os homens ocorreu em 2010, com Marílson, e no feminino em 2006, com Lucélia Peres.

Prova democrática e inclusiva

Atualmente, a São Silvestre é considerada uma das competições mais democráticas do mundo. A prova conta com largadas organizadas em ondas, começando pelos atletas PCDs e cadeirantes, seguidos pela elite feminina, elite masculina e, por fim, os corredores amadores. Também há a São Silvestrinha, versão voltada para crianças e adolescentes, realizada em data diferente no Centro Olímpico do Ibirapuera.

Além da competição, a corrida se destaca por promover conexão com o espaço público, passando por marcos históricos e cartões-postais de São Paulo, e por acolher participantes que buscam objetivos diversos, como superação pessoal, celebração do ano novo ou convivência social.

Daniel Freitas

Daniel Freitas

Formado em jornalismo pela Universidade Salvador (Unifacs), é apaixonado por esportes, com experiência em assessoria de imprensa. Chegou à equipe do Portal Muita Informação em 2024 com uma vontade imensa de aprender e agregar.

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