Como a COP30 impulsionou a agenda ambiental da Bahia com acordos históricos e cooperação internacional
Diante da realização do evento, a Bahia contou, ao longo de 2025, com uma agenda ambiental estruturada em torno de clima, energia e sustentabilidade
Raimundo Pacco/COP30
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada durante o mês de novembro, em Belém (PA), promoveu duas semanas de debates e resultou na aprovação do chamado “Pacote de Belém”. O conjunto de decisões reúne 29 acordos globais e inclui a ampliação do Fundo de Perdas e Danos, além do compromisso de triplicar os recursos destinados à adaptação climática até 2035.
Diante da realização do evento, a Bahia contou, ao longo de 2025, com uma agenda ambiental estruturada em torno de clima, energia e sustentabilidade, segundo a Secretaria Estadual de Meio Ambiente da Bahia (Sema). Conforme a pasta, a atuação do Estado foi marcada por ações integradas que envolveram planejamento climático, educação ambiental, cooperação internacional e fortalecimento da governança socioambiental, com foco em mitigação, adaptação e desenvolvimento resiliente.
A Sema concentrou esforços em iniciativas voltadas à sensibilização pública e à formação cidadã. Entre as ações, promoveu a Mostra de Cinema COP30, em Salvador, como parte da programação paralela à conferência, direcionada principalmente a estudantes da rede estadual e voltada a temas como mudanças climáticas, sustentabilidade e culturas tradicionais.

Crédito: Divulgação/CAR
Planejamento climático e cooperação internacional
No eixo institucional, a Bahia deu um passo central ao lançar o edital de licitação para a elaboração do Plano de Ação Climática da Bahia (PAC). O documento será o principal instrumento orientador da política climática estadual, articulando mitigação de emissões, adaptação aos impactos do clima e estratégias de desenvolvimento econômico resiliente, com atenção às desigualdades socioambientais.
“O PAC representa um passo decisivo para alinhar a Bahia às metas globais do clima, garantindo participação social e governança sólida”, destacou o secretário Eduardo Sodré Martins.
A cooperação internacional também integrou a preparação baiana para a COP30. Durante eventos realizados em Salvador, a Sema apresentou o projeto PROT’AIR – Turismo Sustentável em Áreas Protegidas França–Bahia, que propõe um modelo de turismo alinhado à conservação ambiental, à valorização cultural e à geração de renda em unidades de conservação e áreas de proteção ambiental.
Na avaliação da superintendente de Inovação e Desenvolvimento Ambiental da Sema, Maiana Pitombo, o intercâmbio “aproxima modelos de gestão bem-sucedidos e estimula o reconhecimento do valor econômico da conservação”.
A presença da delegação baiana em espaços técnicos e institucionais da conferência reforçou pautas como educação ambiental, participação juvenil e apoio aos municípios. Entre as iniciativas apresentadas esteve o Programa Agente Jovem Ambiental, voltado à formação de estudantes da rede pública e à ampliação do protagonismo juvenil na agenda climática, com perspectiva de expansão estadual.
Na área de conservação, a Bahia destacou avanços na proteção marinha e costeira. O Estado superou a meta global de proteção de 30% das áreas marinhas até 2030, alcançando mais de 40% do território marinho sob proteção, além de desenvolver ações voltadas à preservação de corais, ao controle de espécies invasoras e à gestão integrada da zona costeira, conectando biodiversidade, cidades resilientes e sustentabilidade.
Diretor da Abaf representa florestas baianas na COP30 e debate financiamento climático
Presente na COP30, o diretor-executivo da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF), Wilson Andrade, integrou a delegação oficial do Brasil e teve acesso à Zona Azul, representando as florestas baianas e brasileiras em debates sobre financiamento climático, mercados de carbono, políticas para florestas, bioeconomia, inovação e ações de adaptação.
A participação ocorreu em agendas voltadas à inserção do setor de base florestal nas discussões sobre neutralidade de carbono e estratégias climáticas globais, conforme os temas tratados ao longo da programação oficial da COP30.
“A COP30 marcou uma inflexão histórica ao colocar a Amazônia no centro da agenda global. O Brasil sai fortalecido, com avanços em financiamento, adaptação, florestas e mercados climáticos. Este é um momento crucial para reforçar que o setor brasileiro de árvores cultivadas é parte da solução climática global, unindo produtividade, conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico”, afirmou.

Crédito: Divulgação / ABAF
Ao longo da conferência, o diretor-executivo da ABAF manteve interlocução institucional com entidades nacionais, como a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e baianas, como Associação Comercial da Bahia (ACB), Federação de Arte/Educadores do Brasil (Faeb) e Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb). No plano internacional, dialogou com representantes da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU), de bancos multilaterais e de entidades florestais de outros países, em agendas sobre financiamento verde, cadeias globais de produtos florestais e cooperação técnica para inovação no setor.
“Sustentabilidade para o agro baiano e brasileiro é mais do que um conceito, é uma prática cotidiana, é a base sobre a qual construímos o futuro”, declarou Humberto Miranda, presidente da FAEB. Já o presidente da Ibá, Paulo Hartung, frisou que a COP30 é uma chance rara. “O futuro será de quem souber transformar desafios em oportunidades – para tanto, lugar mais inspirador do que a Amazônia não há”.
Entre os pontos destacados da COP30 estiveram o reconhecimento das florestas tropicais como ativos globais para o equilíbrio climático, a consolidação das florestas plantadas como solução climática estratégica e o incentivo ao manejo florestal sustentável. Também foram reforçados os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), o desenvolvimento de cadeias produtivas livres de desmatamento, a criação de novos mecanismos de financiamento e a expansão dos mercados de carbono.
“O esforço realizado pelo governo do Brasil, pelo estado do Pará e pela Prefeitura de Belém, apesar de todas as dificuldades, valeu a pena para mostrar que o país tem plenas condições de liderar esse processo”, declarou Andrade.
Segundo ele, a agenda incluiu ainda encontros com governos estrangeiros, como a Finlândia, em eventos técnicos promovidos pela embaixada do país, com a participação de autoridades finlandesas e representantes do setor florestal.
“O setor de base florestal já pratica aquilo que muitos setores ainda precisam acelerar: alta produtividade, competitividade e processos que resultam naturalmente em descarbonização. Assim, com os avanços na silvicultura do eucalipto, mostramos que é possível produzir mais, emitir menos e gerar resultados econômicos”, afirmou.
“Reconheço a liderança desse país como exportador de tecnologias e equipamentos, não somente na área de madeira, como também em economia circular, energias renováveis, segurança pública e defesa militar, tecnologia da informação e educação”, complementou.
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