Onda de calor em 2025 expõe causas do aquecimento extremo na Bahia e acende alerta para os próximos anos
Especialistas do Cemadec/Codesal explicam como bloqueios atmosféricos e crise climática elevaram as temperaturas no Estado
Reprodução/IA
A Bahia enfrentou em 2025 um dos períodos mais quentes da sua história recente, com registros sucessivos de temperaturas elevadas em diversas regiões do Estado, especialmente no Oeste baiano. O cenário chamou a atenção de especialistas e exigiu alertas constantes dos órgãos de monitoramento climático. O fenômeno foi provocado por uma combinação de fatores atmosféricos e climáticos, segundo análises técnicas do Centro de Monitoramento de Alerta e Alarme da Defesa Civil de Salvador (Cemadec) e da Defesa Civil (Codesal), responsáveis pelo acompanhamento meteorológico na capital e no interior.
Em entrevista exclusiva ao Portal M!, o meteorologista Giuliano Carlos e o oceanógrafo Gabriel Pugliese, ambos do Cemadec/Codesal, explicaram por que o calor de 2025 atingiu níveis tão elevados, como esses eventos se diferenciam de períodos comuns de altas temperaturas e quais são as expectativas para 2026 diante de um cenário global de crise climática e maior frequência de eventos extremos.
“Em 2025, houveram muitos bloqueios atmosféricos que intensificaram o aumento das temperaturas, a exemplo do sistema de alta pressão. Esses bloqueios tiveram grande impacto em todo o estado da Bahia, especialmente na zona oeste”, explicaram.
Bloqueios atmosféricos explicam calor extremo na Bahia em 2025
De acordo com os especialistas, o principal fator responsável pelas temperaturas excepcionalmente altas foi a atuação persistente de bloqueios atmosféricos, fenômenos que impedem o avanço de frentes frias e mantêm o ar quente estagnado sobre uma região por vários dias consecutivos. Esses bloqueios estiveram associados, sobretudo, a sistemas de alta pressão, que favorecem céu aberto, forte radiação solar e ausência de chuvas.
Esse tipo de configuração atmosférica intensificou o aquecimento em praticamente todo o território baiano, mas teve impacto mais severo no Oeste da Bahia, onde os termômetros frequentemente superaram a média histórica. O cenário contribuiu para desconforto térmico, pressão sobre os sistemas de saúde e aumento da demanda por energia elétrica.
Extremos climáticos e aquecimento global influenciaram cenário
Além dos fatores regionais, Giuliano Carlos e Gabriel Pugliese destacam que o calor de 2025 está inserido em um contexto mais amplo de extremos climáticos globais, associados ao aquecimento dos oceanos e às mudanças no comportamento da atmosfera.
“Estamos vivendo em meio a períodos com extremos climáticos cada vez mais comuns”, alertam.
Dados da Organização Meteorológica Mundial, ligados à ONU, indicam que 2025 deve encerrar como o segundo ou terceiro ano mais quente já registrado no planeta, com temperaturas médias globais cerca de 1,42 grau acima da era pré industrial. Esse aquecimento é impulsionado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa, pelo calor acumulado nos oceanos e por alterações na circulação atmosférica global.
Mesmo com a transição de eventos como El Niño para uma fase de La Niña fraca ou neutralidade, o calor extremo persistiu ao longo do ano, mostrando que esses fenômenos não atuam de forma isolada e que o aquecimento global amplia seus efeitos.
O que caracteriza uma onda de calor
Um ponto importante destacado pelo metereologista é a diferença entre um período quente comum e uma onda de calor, termo técnico que segue critérios específicos.
“A onda de calor é computada quando forem registrados valores acima da normal climatológica durante, pelo menos, 3 dias consecutivos”, explica Giuliano Carlos.
Embora o Brasil tenha enfrentado múltiplas ondas de calor em 2025, com pelo menos seis episódios registrados em nível nacional, ainda não há um levantamento fechado sobre quantas ondas foram oficialmente caracterizadas apenas na Bahia. O que se sabe é que o estado esteve frequentemente sob condições favoráveis ao calor extremo, especialmente durante o verão, a primavera e até mesmo em períodos tradicionalmente mais amenos.
Expectativas para 2026 seguem cercadas de incertezas
Quando o assunto é o próximo ano, Gabriel Pugliese adota cautela. A previsão climática de longo prazo ainda carrega alto grau de incerteza, principalmente em um cenário de transição entre fenômenos oceânicos.
“Difícil de afirmar com clareza. A margem de erro é muito grande”, afirma o oceanógrafo.
Modelos climáticos indicam que 2026 pode ser marcado por maior variabilidade regional, com períodos de calor intenso alternados com episódios de instabilidade atmosférica. A possível neutralidade no Pacífico tende a reduzir padrões globais dominantes, fazendo com que sistemas regionais tenham papel ainda mais decisivo no comportamento do clima no Brasil e na Bahia.
Calor extremo deve seguir como desafio estrutural
Mesmo sem previsões definitivas para 2026, o consenso entre os especialistas do Cemadec/Codesal é que ondas de calor tendem a se tornar mais frequentes e intensas nos próximos anos. O aquecimento dos oceanos, o aumento das emissões de gases de efeito estufa e a urbanização desordenada ampliam os impactos do calor sobre a população, especialmente em áreas vulneráveis.
Para os órgãos de monitoramento, o acompanhamento constante das condições meteorológicas e o investimento em sistemas de alerta precoce são fundamentais para reduzir riscos à saúde e à infraestrutura.
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