Manifestantes ocupam a Barra e pedem fim do feminicídio e da violência contra mulheres na Bahia
Caminhada reuniu mulheres e homens em Salvador e integra mobilização nacional contra a violência de gênero
Mariana Barreto/TV Bahia
Manifestantes se reuniram neste domingo (14), em Salvador, em um ato pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres. A mobilização ocorreu na orla da Barra, com caminhada do Cristo ao Farol, reunindo mulheres e homens que levaram cartazes, faixas e camisetas em defesa da vida e da ampliação das políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero.
Batizado de Mulheres Vivas, o ato integra uma mobilização nacional realizada em diversas cidades brasileiras após a repercussão de casos recentes de violência contra mulheres. Na Bahia, a manifestação ocorreu em meio à divulgação de novos dados da segurança pública e ao impacto de crimes que reforçaram o debate sobre a urgência de medidas preventivas e de proteção.
Mobilização nacional e casos recentes na Bahia
A caminhada realizada na Barra faz parte de um movimento articulado nacionalmente, convocado após episódios de violência registrados em diferentes regiões do país. Na Bahia, um dos casos que motivaram a mobilização foi o assassinato de Rhianna Alves, mulher trans morta após sofrer um golpe de mata-leão aplicado pelo motorista por aplicativo Sérgio Henrique Lima dos Santos, de 19 anos.
De acordo com a legislação brasileira, o feminicídio é caracterizado como o homicídio de uma mulher cometido por razões da condição de ser mulher, incluindo violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação de gênero. A pena prevista varia de 20 a 40 anos de reclusão, conforme a tipificação penal vigente.
Durante o ato, os participantes cobraram a responsabilização dos agressores e a ampliação das políticas públicas de prevenção, acolhimento e proteção às vítimas. As palavras de ordem e os materiais exibidos ao longo do percurso destacaram a defesa da vida, o direito à segurança e a necessidade de respostas efetivas do poder público.
Dados de feminicídio reforçam alerta na segurança pública
Números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) apontam que, entre janeiro e 8 de dezembro de 2025, o estado registrou 97 feminicídios. O levantamento coloca a Bahia entre os estados que enfrentam desafios persistentes no enfrentamento à violência de gênero.
Entre as dez cidades baianas com maior número de registros, Salvador lidera a lista, com 10 ocorrências no período. Em seguida aparecem Feira de Santana, com cinco casos, e Camaçari, com quatro. Os dados foram citados durante a mobilização como argumento para reforçar a urgência de ações integradas entre segurança pública, justiça e políticas sociais.
Os manifestantes também destacaram a importância da informação como ferramenta de prevenção, sobretudo no acesso às medidas legais disponíveis para mulheres em situação de risco.
Medidas protetivas e caminhos de proteção às mulheres
Um dos pontos ressaltados durante o ato foi o direito ao acesso às medidas protetivas, mesmo quando não há um crime formalmente consumado. Situações como ciúme excessivo, perseguição, controle financeiro ou intimidação já permitem que a mulher solicite proteção legal.
O pedido pode ser feito na Polícia Civil, seja na delegacia mais próxima, em uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, pelo site da Delegacia Eletrônica ou pelo telefone 197. Após o registro, a solicitação é encaminhada ao Judiciário, que deve analisar o pedido em até 48 horas.
Caso a medida concedida não seja suficiente para cessar agressões ou ameaças, a mulher pode solicitar novas providências e denunciar o descumprimento, que é considerado crime. As informações foram compartilhadas durante o ato como forma de orientar quem acompanhava a manifestação.
Barra concentra novas mobilizações por direitos humanos
A região da Barra também será palco de outra mobilização social nos próximos dias. No domingo (18), o Farol da Barra receberá o ato Silêncio que Grita – Ação Nacional pela Infância, voltado ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A atividade está prevista para ocorrer das 8h às 11h e integra uma mobilização nacional.
Organizado em Salvador pelo Coletivo Lute por Elas, o ato reúne mães, ativistas e cidadãos em um movimento pacífico que busca ampliar a visibilidade da violência infantil e pressionar por políticas públicas de prevenção e responsabilização dos agressores. A iniciativa foi idealizada por Raquel Vivas e ocorre em meio a dados que apontam mais de 4 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes na Bahia apenas entre janeiro e abril de 2025.
Durante a mobilização, também haverá arrecadação de brinquedos, que serão destinados a crianças em situação de vulnerabilidade social, com material educativo voltado à prevenção, reforçando a importância da educação preventiva e das redes de proteção desde a infância.
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