PF investiga esquema de emendas na Câmara e atuação de assessora ligada ao PP e ex-assessora de Lira
Operação Transparência cumpre mandados em Brasília e apreende documentos que podem revelar desvios na gestão de verbas parlamentares
Antônio Cruz/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta sexta-feira (12), a Operação Transparência, ação que tem como foco a investigação de possíveis irregularidades na destinação de verbas públicas provenientes de emendas parlamentares. A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre dois mandados de busca e apreensão em Brasília, ampliando o cerco sobre suspeitas envolvendo a liberação e o gerenciamento de recursos no Congresso Nacional.
A principal investigada é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, atual assessora do PP e ex-assessora do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Embora o deputado federal tenha exercido influência sobre setores ligados às emendas, ele não é alvo da operação. Mariângela, atualmente, ocupa um cargo de natureza especial na liderança do PP na Câmara, com remuneração bruta de R$ 23,7 mil, e trabalha diretamente na organização de indicações de emendas. Com informações da Agência Brasil.
Buscas na Câmara dos Deputados e apreensão de documentos
As ações desta sexta-feira se concentraram em dois pontos principais: uma sala utilizada pela servidora na Câmara dos Deputados e a residência dela, em Brasília. Durante a operação, agentes da PF apreenderam o celular de Mariângela, além de documentos e eventuais dispositivos eletrônicos que possam auxiliar na investigação.
Um dos detalhes que chamou atenção da PF é o fato de Mariângela ter passado a ocupar, desde 2022, uma sala registrada oficialmente como pertencente à Presidência da Câmara. Segundo relatos, era desse local que ela despachava questões relacionadas às emendas parlamentares durante a gestão de Arthur Lira.
Esse uso específico do espaço institucional é uma das linhas de apuração da PF, que busca entender o fluxo de decisões e documentos relacionados às indicações de verbas. A assessoria de Arthur Lira afirmou que a servidora não integra mais sua equipe. Já a liderança do PP informou que está “averiguando todo ocorrido” e que deve se manifestar ainda nesta sexta-feira.

Suspeitas de favorecimento e crimes investigados
A Operação Transparência busca esclarecer a liberação de milhões de reais em emendas de comissão, modalidade que permite a parlamentares influenciar diretamente a destinação de recursos para obras, projetos e ações específicas em seus estados e municípios. A PF apura se houve direcionamento indevido desses valores, falsificação de documentos ou favorecimento indevido de beneficiários.
Entre os crimes investigados estão:
- Peculato, que envolve o desvio de recursos públicos;
- Falsidade ideológica, relacionada à inserção de informações falsas em documentos oficiais;
- Uso de documento falso, prática utilizada para legitimar ações irregulares;
- Corrupção, seja ativa ou passiva, no processo de liberação das emendas.
A Polícia Federal afirmou que a operação decorre de indícios consistentes que apontam irregularidades na atuação de setores responsáveis por organizar as indicações das emendas dentro da Câmara dos Deputados.
Impacto político e desdobramentos
A investigação ocorre num momento em que as emendas parlamentares voltam ao centro do debate nacional sobre transparência e controle de gastos públicos. As decisões de Flávio Dino no STF têm analisado iniciativas que questionam a clareza e a legalidade de determinados formatos de repasse, especialmente aqueles com baixa rastreabilidade.
Dentro da Câmara, o caso gera repercussão por envolver uma servidora experiente, com histórico de atuação no núcleo de decisões sobre emendas. A apreensão de seu celular e o acesso a documentos internos podem abrir novas frentes de investigação e detalhar como eram organizadas as indicações de verbas durante a fase final da gestão de Arthur Lira.
A PF segue analisando os materiais recolhidos e afirmou que as diligências desta sexta-feira são apenas uma etapa da apuração, que pode avançar para novas ações caso sejam confirmadas irregularidades.
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