Após tumulto, Hugo Motta diz que Câmara não aceitará atos de intimidação e acusa Glauber de abusar da democracia

Lídice da Mata condena operação da Polícia Legislativa e repudia retirada da imprensa do plenário: ‘inédita e preocupante’


Redação
Estadão Conteúdo e Redação 10/12/2025 11:05 • Política
Após tumulto, Hugo Motta diz que Câmara não aceitará atos de intimidação e acusa Glauber de abusar da democracia - Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), voltou a se manifestar, nesta última terça-feira (9), sobre o episódio envolvendo o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), que ocupou a cadeira da Presidência durante sessão deliberativa e acabou removido pela Polícia Legislativa, gerando tumulto no plenário. Segundo Motta, o comportamento do parlamentar representa desrespeito reincidente às normas da Casa e exige resposta institucional para preservar a ordem e o funcionamento do Legislativo.

O posicionamento do presidente foi reforçado tanto em plenário quanto em publicações feitas em sua conta oficial na rede X. Motta afirmou que o episódio não se tratou apenas de um ato simbólico, mas de uma ação que ultrapassou limites regimentais, criando um ambiente hostil e prejudicando a condução dos trabalhos.

“A cadeira da Presidência não pertence a mim. Ela pertence à República. Pertence à democracia. Pertence ao povo brasileiro. E nenhum parlamentar está autorizado a transformá-la em instrumento de intimidação, espetáculo ou desordem. Deputado pode muito, mas não pode tudo. Na democracia, ele pode tudo dentro da lei e dentro do Regimento. Fora disso, não é liberdade: é abuso”, disse o presidente da Câmara.

Motta diz que cadeira da Presidência simboliza a República e não pode ser usada para confrontos

De acordo com Motta, a ocupação da cadeira da Presidência por Glauber Braga foi interpretada como uma tentativa de demonstrar força política por meios inadequados. Para ele, o gesto teria transformado um símbolo institucional que representa a autoridade da Câmara e da própria República em um instrumento de provocação e intimidação.

“Há um equívoco grave na postura de quem acredita que democracia só existe quando o resultado lhe agrada. Quem se diz defensor da democracia, mas agride o funcionamento das instituições, vive da mesma lógica dos extremistas que tanto critica. O extremismo não tem lado porque, para o extremista, só existe um lado: o seu”, pontuou Motta.

O presidente também frisou que a função exige respeito ao rito legislativo e cumprimento das normas internas. Em sua avaliação, o comportamento de Glauber ultrapassou o que é esperado de um parlamentar, já que a condução dos trabalhos não pode ser utilizada como palco de ações que possam gerar instabilidade ou desordem.

Crítica ao uso da democracia como justificativa para desrespeito institucional

Outro ponto enfatizado por Hugo Motta foi a interpretação, por parte de alguns parlamentares, de que defender a democracia significa agir apenas quando os resultados lhes são favoráveis. Para o presidente, esse tipo de postura distorce o conceito democrático e acaba se aproximando da lógica de grupos extremistas, que rejeitam qualquer posição diferente da própria.

Segundo ele, atitudes como a que ocorreu na sessão reforçam um comportamento que tenta validar o desrespeito institucional como forma legítima de protesto. Motta alertou que esse tipo de ação corrói o ambiente democrático e produz crises artificiais, dificultando o trabalho legislativo.

Câmara afirma ter seguido protocolos e anuncia apuração de excessos

Após o tumulto, o presidente confirmou que todas as medidas tomadas pela Mesa Diretora e pela Polícia Legislativa seguiram os protocolos previstos no regimento. O controle de circulação e a retirada de quem invade ou ocupa espaços sem autorização estão entre as ações previstas em casos de risco à ordem interna.

Além disso, Motta determinou a apuração de possíveis excessos cometidos contra membros da imprensa durante o episódio. Jornalistas relataram empurrões e dificuldades para registrar a sessão devido à confusão que se instalou no plenário.

“O ingresso, a circulação e a permanência nos edifícios e locais sob responsabilidade da Câmara dos Deputados estarão sujeitos à interrupção ou à suspensão por questão de segurança. Determinei, ainda, a apuração de todo e qualquer excesso cometido contra a cobertura da imprensa”, ressaltou Hugo Motta.

Para o presidente, o ocorrido serviu para reforçar a necessidade de garantir segurança, ordem e transparência durante as sessões, especialmente em momentos de maior tensão política.

Presidência reforça que instituição não será intimidada

Ainda sobre o episódio, Hugo Motta afirmou que a tentativa de constranger ou pressionar a Presidência da Câmara acabou tendo efeito contrário. Segundo ele, a atitude expôs intolerância e não contribuiu para o debate parlamentar, reforçando apenas a necessidade de preservar a autoridade institucional.

“Hoje ficou claro: quem tentou humilhar o Legislativo, humilhou a si mesmo. Quem tentou fechar portas ao diálogo, escancarou a própria intolerância. E quem tentou afrontar a Câmara, encontrou uma instituição firme, serena e inegociável”, concluiu Motta.

Segundo o presidente, o Legislativo permanecerá firme diante de comportamentos que tentem confrontar ou humilhar a instituição. Para ele, nenhum deputado está acima da Câmara e nenhum ato individual pode ameaçar o funcionamento democrático da Casa.

Lídice da Mata repudia remoção de Glauber Braga

A deputada federal Lídice da Mata (PSB), líder da bancada baiana no Congresso, classificou como “absurda e sem precedentes” a ação da Polícia Legislativa que retirou Glauber Braga da cadeira da Presidência da Câmara durante a sessão desta última terça-feira (9). Para ela, a operação marcada por violência, suspensão das transmissões oficiais e restrição ao trabalho da imprensa representa um episódio inédito na história recente do Parlamento.

Lídice também destacou que a reação dos agentes contrasta com episódios anteriores envolvendo parlamentares de direita, nos quais a resposta da segurança teria sido mais branda. A deputada avalia que o tumulto ocorre em um contexto de forte tensão política, enquanto a Casa se preparava para votar o projeto conhecido como Lei da dosimetria, que tem mobilizado setores da extrema-direita. A parlamentar baiana ainda defendeu a vigilância da sociedade diante do clima de pressão sobre o Legislativo e repudiou a retirada da imprensa no plenário.

Confira tumulto na Câmara dos Deputados:

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Equipe de jornalistas e editores do portal Muita Informação

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