Lula volta a defender fim da escala 6×1 e melhores salários como base para ampliar acesso ao trabalho
Presidente reforça em conferência que condições dignas e revisão da jornada devem integrar a agenda social e econômica do governo
Marcelo Camargo/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender, nesta última segunda-feira (8), o fim da escala 6×1, modelo que prevê seis dias de trabalho para apenas um de descanso, e ressaltou que a ampliação do acesso ao trabalho passa por melhores salários e pela revisão da jornada. Em discurso na 14ª Conferência Nacional de Assistência Social, em Brasília, Lula afirmou que condições dignas são essenciais para garantir que brasileiros aceitem vagas e possam ingressar no mercado de trabalho.
Durante o evento, o presidente reforçou propostas já defendidas por seu governo e destacou que políticas salariais e a reorganização do tempo de trabalho devem integrar a agenda social e econômica dos próximos meses. Segundo o petista, oferecer remuneração justa e jornadas equilibradas é fundamental para reduzir desigualdades e fortalecer a inclusão produtiva.
“Vou dizer quando a pessoa quer trabalhar: pague um salário decente e melhore a jornada de trabalho. É isso que vai fazer as pessoas trabalharem em qualquer lugar. Ninguém gosta de viver de favor, de políticas públicas”, declarou o presidente.
Governo insiste em discutir redução da jornada semanal
No campo trabalhista, Lula reforçou a necessidade de que empresas ofereçam salários classificados por ele como adequados e jornadas consideradas mais equilibradas. Segundo ele, essas mudanças representam fatores capazes de estimular a adesão dos trabalhadores às vagas disponíveis em diferentes setores econômicos. O chefe de Estado argumentou que cidadãos preferem oportunidades estruturadas e não dependem do acesso contínuo a políticas públicas para garantir seu sustento, desde que as condições profissionais sejam consideradas razoáveis.
O presidente voltou a defender o debate sobre a revisão da jornada semanal no Brasil, ponto que tem sido levantado por ele em diferentes agendas públicas. Lula tem afirmado que avanços tecnológicos e transformações na organização do trabalho tornam ultrapassado o modelo tradicional de seis dias de atividade para um de descanso (6×1).
A discussão sobre o tema já aparece na Câmara dos Deputados, onde tramita um projeto alternativo apoiado pelo Executivo, conforme divulgado anteriormente. A proposta busca formular uma redução gradual ou adaptar formatos laborais que considerem produtividade e novos arranjos tecnológicos, embora ainda não haja consenso entre parlamentares e setores empresariais.
Pautas econômicas e combate à desigualdade
Durante sua fala, o presidente também ressaltou que, apesar de avanços registrados nas políticas de transferência de renda e mudanças recentes na legislação tributária, ainda há desafios significativos no combate à desigualdade. Ele citou como exemplo a aprovação da medida que isenta do Imposto de Renda trabalhadores que recebem até R$ 5 mil, classificando a alteração como parte de um conjunto de ações destinadas a reduzir a distância entre diferentes faixas de renda.
“Mesmo diminuindo as desigualdades no maior nível da história, o Brasil ainda é muito desigual. Os ricos ainda são muito ricos, mesmo aprovando o não pagamento de IR para quem ganha R$ 5 mil, ainda é preciso fazer mais, porque ainda há muita concentração de renda no país. Estamos apenas começando a fazer a transformação que esse País precisa. Vai dar trabalho, mas vamos fazer”, disse o presidente.
Lula afirmou que, mesmo em um cenário no qual indicadores apontam para o menor nível de desigualdade já registrado no país, persistem diferenças estruturais que requerem novas iniciativas. Para ele, a concentração de renda ainda é elevada, e a administração federal considera que está apenas no início de um processo mais amplo de transformação social.
Presidente cobra ampliação de representação política
Além de temas econômicos e trabalhistas, Lula dedicou parte de sua participação à discussão sobre representatividade no Congresso Nacional e nos governos estaduais. Ele defendeu que grupos alinhados às pautas progressistas devem buscar aumentar o número de deputados, senadores e governadores que compartilhem as diretrizes programáticas do campo político ao qual está vinculado. Segundo ele, a efetividade das políticas públicas depende da composição desses espaços de poder.
“Estamos falando de um futuro que está para ser construído pelas nossas mãos, pelo nosso comportamento, o nosso trabalho e pelo grau de consciência política que a gente tiver no dia em que tivermos de votar”, afirmou Lula.
Em sua avaliação, a consolidação de projetos de governo e de estratégias administrativas está diretamente relacionada à qualidade da atuação parlamentar e à convergência de prioridades entre Executivo e Legislativo.
Proposta de garantia orçamentária para assistência social
Aos representantes do setor presentes na conferência, Lula também mencionou a necessidade de discutir uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) voltada a assegurar recursos específicos e contínuos para a assistência social. A ideia, segundo o presidente, evitaria disputas anuais por orçamento e daria maior previsibilidade às ações da área, especialmente às vinculadas aos serviços públicos de proteção social.
A possibilidade de encaminhar a PEC para tramitação depende da articulação entre ministérios, entidades do setor e líderes do Congresso, mas foi apresentada como prioridade futura para garantir a estabilidade do Sistema Único de Assistência Social (Suas).
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